Cassino - Rio Grande do Sul
A maior praia em extensão do mundo
Conhecer o litoral brasileiro pode ser uma tarefa prazerosa, mas não é nada fácil. O
Brasil tem 7.637 quilômetros de costa - do Cabo Orange, no Amapá, ao Arroio Chuí, no
Rio Grande do Sul. Com mais de 1500 praias catalogadas, o melhor a fazer é ir conhecendo,
aos poucos, os encantos de nossa costa.
No Brasil também encontra-se a maior praia contínua do planeta - a Praia do Cassino,
que tem 245 quilômetros de extensão. O seu início fica no balneário do mesmo nome a 18
quilômetros do centro da cidade de Rio Grande (RS). Inaugurado em 1898, o balneário, que
era denominado Vila Siqueira, tornou-se o centro de lazer de grandes empresários - em geral
descendentes de alemães, portugueses, ingleses ou italianos que vinham com muito dinheiro
para se deliciar com luxuosidade e jogatina do Hotel Atlântico. A perseguição a italianos e alemães, durante a Segunda Guerra Mundial, e a proibição do jogo de roleta, em 1946,
causaram danos à economia local. Nos últimos anos, o balneário conseguiu reverter essa
situação com uma série de atrações e curiosidades turísticas.
O Molhe Oeste, por exemplo, é uma delas. No ponto extremo da praia, foi construído
com toneladas de pedras que invadem o mar aberto. Sua formação, junto com o Molhe
Leste, do outro lado do canal de navegação, protege a entrada e saída de navios para
Rio Grande. No Molhe Oeste é possível pegar uma vagoneta, movida à vela, que desliza
lentamente pelos trilhos oceano adentro até chegar na torre do farol. A viagem leva cerca
de 30 minutos e percorre uma extensão de 4 quilômetros, no trajeto pode-se ainda ter a
sorte de ver golfinhos e mergulhões.
Na areia da praia sempre há muita gente tomando banho de sol, mas nem todos se
arriscam a entrar nas águas frias. A Praia do Cassino não tem o privilégio das
cores das águas de Santa Catarina, são amarronzadas, com a cor de café-com-leite.
Especialistas afirmam que a cor é proveniente de explosões populacionais de algas
marinhas e que até fazem bem à saúde.
Uma praia quase sem fim.
O litoral do Rio Grande do sul é largo e plano - uma praia contínua e descampada. Viajar
em direção ao Chuí pela beira da praia, pode provocar sensações de surpresa e liberdade,
principalmente num trecho quase inexplorado de 223 quilômetros.
Cassino é uma imensa praia desértica, marcada por milhares de aves nativas e
migratórias e a vigilância de 4 faróis: Sarita, Verga, Albardão e Chuí. Repleta de lagoas que
se conectam com o mar e uma grande faixa de dunas a perder de vista, também é conhecida
como "Cemitério de Navios". Tem barcos encalhados e restos de naufrágios que, ou
chegaram muito perto da praia, ou foram pegos pelas violentas tempestades de inverno.
É um percurso inóspito recomendável somente para quem gosta de enfrentar os desafios
da natureza. O sopro do vento sul e o mar enfurecido podem impossibilitar a passagem em
muitos trechos. Atolar, num deles, poderia significar dias isolados longe de qualquer assistência. Só nos últimos quilômetros da
Praia do Cassino aparecem algumas casas de veraneio onde a praia e o país acabam.
O Arroio Chuí é o lugar que separa o Brasil do Uruguai, de cada lado existem molhes e do lado brasileiro tem o Farol Chuí,
o último sentinela. A cidade brasileira do Chuí, a cerca de 14 quilômetros da praia, é separada da cidade uruguaia do Chuy
apenas por uma avenida. Essa região foi palco de guerra entre portugueses e espanhóis durante o século XVIII e parte do
século XIX. Hoje é o acesso turístico terrestre mais movimentado do país.
A maior parte da imensa Praia do Cassino ainda permanece intacta. Suas areias continuam sendo visitadas por pingüins,
leões e lobos marinhos que fogem do inverno antártico. É bom que continue assim, atraente apenas para turistas e aventureiros
que respeitam a vida, as plantas e os bichos que crescem e aparecem em sua extensão.
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